“O que é a tolerância? Trata-se de uma prerrogativa da humanidade. Estamos todos imersos em erros e fraquezas: perdoemo-nos reciprocamente as nossas tolices, eis a primeira lei da natureza.” (Voltaire, 1764)

A Universidade do Vale do Itajaí (SC) – UNIVALI, novamente é fonte de ataques para com a condição de trabalho docente, num tempo onde reina para alguns pares, o obscurantismo, o fanatismo e o sectarismo em relação à própria condição da sociedade frente à pandemia que vivemos.

Uma universidade enquanto instituição preza pela “pluralidade de ideias” na construção de fundamentos com base na ciência, racionalmente construídos enquanto objetos de pesquisa com lastro em teorias fundantes, epistemologia de conhecimentos, metodologia traçada, seja ela quantitativa ou qualitativa, um lastro de evidências que não abre portas para “doutrinação” ou “dogmatismos” de todas as espécies.

Estranhamente, em pleno século XXI, um grupo de dogmáticos fundamentalistas sem razão passou a traçar uma “guerra cultural” para todas as imagens ou representações que os assombram. São os fantasmas que permeiam um charlatanismo lastreado numa suposta ideologia intitulada de “Escola sem Partido”, uma doutrinação protofascista que tenta impor uma agenda conservadora de costumes, de caráter violento, censurador e antidemocrático, contrariando todas as prerrogativas da própria LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira.

Tais diretrizes preconizam os processos formativos que se desenvolvem na convivência humana, nos movimentos sociais com suas diversas expressões e manifestações culturais, incluindo a promoção da conscientização e prevenção para todos os tipos de violência. Em síntese, a prática educativa em nível superior, no curso de graduação em Psicologia, impõe uma enorme tarefa ao trabalho docente, em ambiente remoto, na ocultação da vivência de sala de aula, propício para o surgimento de protofascistas e violadores da Liberdade de Expressão, inscrito na Constituição Federal – a constituição cidadã.

No ambiente da Universidade do Vale do Itajaí (SC) se transformou em rotina o cerceamento à Liberdade de Cátedra, com censuras ao trabalho dos docentes, nas demissões seletivas, no assédio moral para atuação docente em seus diversos campos de atuação, com o silêncio institucional diante de mais um atentado aquele elemento basilar da educação plural – a diversidade e alteridade.

O repúdio iniciado pelo grupo de estudantes universitários do Curso de Psicologia da UNIVALI, representado pelo seu Centro Acadêmico, se manifesta frente à tentativa de uma acadêmica imputar uma doutrinação ideológica, em atitude discriminatória de LGBTfobia, exigindo providências contra a atitude discente para com o trabalho do docente.

O SINPROESC manifesta seu repúdio diante da atitude institucional cúmplice, e, solidário ao trabalho do docente, defendendo de forma inconteste a liberdade de expressão e de cátedra, nesses tempos sombrios, e, reitera a necessidade de posicionamento da UNIVALI, caso contrário, será avalista de posições discriminatórias.

Vale relembrar aquele saudoso samba-enredo de 1989: “LIBERDADE, LIBERDADE! Abras as asas sobre nós. E que a voz da igualdade. Seja sempre a nossa voz.”

 

Prof. Carlos Magno da Silva Bernardo
Presidente