Categoria: Artigos

Publicado em Segunda, 22 Setembro 2014 22:09

João Franzin*

O movimento sindical chega bem à reta final do primeiro turno das eleições. Chega afirmativo, sem perder rumos. Explico.

Campanhas salariais – As categorias escolhem suas pautas, encaminham as reivindicações ao patronato e já colocam as campanhas nas ruas. Entre bancários, metalúrgicos, comerciários, químicos e outros com data-base no segundo semestre, a orientação é unitária: buscar aumento real e ampliar conquistas.

Eleições – Dirigentes e tendências estão alinhados aos projetos políticos que consideram mais adequados. A busca de proximidade com essas candidaturas está sendo positiva, na medida em que, quando chegam, os dirigentes reafirmam os eixos centrais da Pauta Trabalhista unificada. Há variações nos Estados, em relação às eleições locais, mas o desenho não é muito diferente.


Havia, aí por maio/junho, açodamento de algumas lideranças sindicais e risco de puxar para dentro do ambiente do sindicalismo o clima de pendenga, disputa e rixa típicos das eleições. Esse risco perdeu força. Quem está com Aécio, tudo bem; quem está com Dilma, tudo certo; quem caminha com Marina, normal – e a vida segue. E quem está com Zé Maria, bem, está com o Zé…
Evidente que a relação sindicalismo-candidaturas não é só tranquilidade. O maior ruído até agora (com riscos de rupturas) vem da parte de Marina, cujas falas sobre temas ligados aos trabalhadores geram contestações. O movimento sindical não engole a terceirização e majoritariamente recusa mexidas na CLT, por exemplo.

Candidatos – Há grande número de candidaturas proporcionais originárias do sindicalismo, em todos os partidos. Os nomes mais consagrados vão tocando suas campanhas, com chances de êxito. Os menos conhecidos buscam encaixar suas propostas, com as dificuldades naturais. Não é fácil pra ninguém e, como alerta o Diap, há risco de que a bancada trabalhista cresça pouco ou mesmo decresça.

Segundo turno – O movimento sindical, a prevalecer o desenho deste primeiro turno, deverá saber se compor com as duas candidaturas finalistas, mantendo a Pauta Trabalhista e sem perder o objetivo das demandas específicas.

Houve um tempo de forte carga ideológica nos meios sindicais – discussão desandava em briga. A consolidação do Estado de Direito, as conquistas por meio de leis e os avanços das próprias categorias (anos seguidos de aumento real, ampliação dos acordos de PLR, melhoria nas condições de trabalho) tornaram o movimento mais centrado. É o que se vê agora e, tudo indica, se verá no segundo turno. Se houver.

(*) Jornalista da Agência Sindical