Priscila Cruz comentou desempenho do Estado em alguns dados revelados pelo relatório De Olho Nas Metas 2012
Fonte: Jornal de Santa Catarina (SC)

07 de março de 2013

 

A diretora-executiva do movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, avalia que Santa Catarina, mesmo apresentando as melhores taxas do país, ainda tem muito a melhorar. Ao analisar o desempenho do Estado no relatório De Olho nas Metas 2012, ela comentou que o Estado ainda “tem muito que correr atrás”. O relatório foi divulgado nesta quarta-feira pelo Todos Pela Educação e é referente a um estudo que monitora a qualidade de ensino em todo o Brasil.
O Todos Pela Educação trabalha com cinco metas (veja os detalhes no quadro ao fim da matéria), que devem ser cumpridas até 2022, quando completa 200 anos da Independência do país. A cada ano, uma etapa deve ser alcançada e um novo relatório é divulgado.
SC superou metas relacionadas ao aprendizado adequado à série em Português e Matemática nos anos iniciais do ensino fundamental, mas ficou estagnado nos anos finais e no ensino médio.
Entrevista:
Diário Catarinense — Como as metas são traçadas a cada ano?
Priscila Cruz — A gente tem a meta para 2022 e tem uma curva logística traçada. A partir dela, foram determinadas as metas intermediárias, ano a ano, até 2002.
DC — Brasil e estados conseguirão cumprir as metas finais até 2022?
Priscila — No fundamental 1 (anos iniciais) a gente atinge. É só manter o ritmo. No fundamental 2 (anos finais) e no ensino médio, se nada de muito radical acontecer, a gente não consegue atingir as metas.
DC — Matemática se mostrou um ponto fraco em todo país, como reverter?
Priscila — A matemática começa ruim nos anos iniciais do ensino fundamental, quando já temos desempenho pior em matemática do que em língua portuguesa. A realidade precisa ser encarada mais de frente. É bem raro políticas preocupadas com o ensino de matemática. Não é uma preocupação que está na agenda.
DC — Como vocês avaliam o desempenho de SC nas metas?
Priscila — De fato SC tem, talvez, um dos melhores resultados do país. Mas vamos pegar SC no ensino médio. A melhor educação, uma das melhores do país, tem 35,5% dos alunos que terminaram aprendendo o esperado em português. A taxa é 14,5% em matemática. Imagina um estado como SC e só 14,5% aprenderam matemática ao final do ensino médio. O Estado tem muito que correr atrás, ainda é muito emblemático. Mesmo em SC, a minoria aprende matemática.
Sobre o movimento
O Todos Pela Educação, fundado em 2006, é um movimento da sociedade civil brasileira que tem como missão contribuir para que até 2022, ano do bicentenário da Independência do Brasil, o país assegure a todas as crianças e jovens Educação Básica de qualidade.
Apartidário e plural, congrega representantes de diferentes setores da sociedade, como gestores públicos, educadores, pais, alunos, pesquisadores, profissionais de imprensa, empresários e todas as pessoas ou organizações que são comprometidos com a garantia do direito a uma Educação de qualidade.
Meta 1 – Toda criança e jovem de 4 a 17 anos na Escola Até 2022, 98% de crianças e jovens devem estar matriculados e frequentando uma Escola. Cada estado também devem registrar esse percentual.
Meta 2 – Toda criança plenamente alfabetizada até os 8 anos Até 2010, 80% ou mais, e até 2022, 100% das crianças deverão apresentar as habilidades básicas de leitura e escrita até o final da 2ª série (3º ano) do fundamental ? traz dados baseados em uma prova criada pelo movimento, sem dados por Estado.
Meta 3 – Todo Aluno com aprendizado adequado ao seu ano. Até 2022, 70% ou mais de Alunos terão aprendido o que é adequado para seu ano.
Meta 4 – Todo Aluno com o Ensino médio concluído até os 19 anos. Até 2022, 95% ou mais dos jovens de 16 anos deverão ter completado o Ensino fundamental, e 90% ou mais dos jovens de 19, deverão ter completado o Ensino médio.
Meta 5 – Investimento em Educação ampliado e bem gerido Até 2010, continuando até 2022, o investimento público em Educação básica deverá ser de 5% ou mais do PIB do país: em 2010 o valor divulgado foi de 4,3% ? é o balanço mais recente. No geral o número vem crescendo desde 2000, quando era 3,2%

Estado ainda precisa melhorar
Metade dos estudantes do 5º ano do Ensino fundamental aprende o esperado em português e matemática em SC. É a terceira maior taxa de aprendizado adequado à série do país. Já no 9º ano do fundamental e no 3º do Ensino médio, o desempenho fica abaixo do esperado. Os dados foram revelados ontem no relatório Olho nas Metas 2012, do movimento Todos Pela Educação, que monitora a qualidade de Ensino do país. O movimento trabalha com cinco metas que devem ser cumpridas até 2022.
Quando chegam ao 5º ano fundamental, os estudantes catarinenses superaram os objetivos traçados pelo movimento no que diz respeito ao aprendizado adequado à série. Em português, 52,9% aprenderam o esperado, sendo a meta de 46,7%. Em matemática, a taxa de aprendizado adequado foi de 49,9% (meta de 36,3%). Houve ainda uma melhora, se comparada à última publicação, quando 38,2% aprenderam o que deveriam em português, e 37%, em matemática.
Já no 9º ano, 32,2% aprenderam o esperado para português – número abaixo dos 39,6% traçados. Em matemática, a taxa de aprendizado foi de 21,8% – o esperado era 29,9%.
No Ensino médio, o aprendizado em matemática é o mais preocupante. Dos estudantes do 3º ano, apenas 14 entre 100 Alunos têm aprendizado adequado à série, sendo que o estipulado foi de 25%. O desempenho foi inferior ao apresentado no último relatório.

Pais se unem para manter ensino inovador
A Escola Ruy Barbosa, no Centro, conseguiu normalizar o fornecimento de refeições aos 300 Alunos do Ensino médio Inovador. No início do ano letivo, não havia comida para manter os estudantes pelo período integral e os pais acabaram contribuindo financeiramente para solucionar emergencialmente o problema. Nesta semana, parte da verba para complementar a alimentação básica foi enviada para a Escola.
No total, o governo faz o repasse anual de R$ 23.498 mil para a compra dos alimentos não perecíveis para complementar as refeições, oriundos de três programas, segundo a gerente de Educação da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Timbó, Sara Regina Ledra. Além disso, são enviados mantimentos como feijão, arroz, sucos, macarrão, bolachas, atum, sardinha, frango enlatado e sucrilhos.
– O serviço está se regularizando. Já recebemos R$ 2 mil e, nos próximos dias, deve vir a verba para comprar produtos da agricultura familiar. Na primeira semana optamos por não servir o almoço, pois tínhamos apenas arroz, feijão, macarrão, além dos ingredientes para os lanches da manhã, tarde e noite – revela a diretora Salvelina Maria Zatelli.
Neste período em que não foi fornecido o almoço, os Alunos foram liberados para almoçar em casa. Os que moravam perto voltavam para participar das aulas à tarde. O ano letivo começou dia 14 de fevereiro e no dia 21, na segunda semana de aula, foi feita uma reunião entre diretoria e pais. As famílias sugeriram contribuir com R$ 20 para complementar a alimentação até que tudo voltasse ao normal.
– O objetivo é que família e Escola caminhem juntos para uma Educação melhor. Na reunião, alguns pais sugeriram e se comprometeram a ajudar espontaneamente para complementar o almoço. Nos organizamos e agora está tudo funcionando normalmente – afirma o presidente da Associação de Pais e Professores (APP), Ulisses Faes.
Para a aposentada Ellen Zimmer, mãe de um Aluno do 1º ano do Ensino Inovador, apesar da Escola ser estadual também é preciso que os pais ajudem:
– É bem melhor ter Alunos na Escola do que na rua, por isso sou a favor do Ensino Inovador. Em casa as crianças também comem. O governo tem que dar Educação e estudo, mas nem tudo é como a gente quer. Então, cabe a nós colaborar. Neste mês ajudamos com R$ 20, mas, uma vez que o governo mandar o recurso, não haverá mais necessidade.
Escola BÁSICA RUY BARBOSA – Fundação: 5 de novembro de 1949- Área total terreno: 15 mil metros quadrados- Área construída: 4,5 mil metros quadrados- Ensino: Ensino médio regular e Inovador- Turmas: 30, sendo 17 de manhã, quatro à tarde e nove à noite. Do total, são nove do Inovador, 20 do regular e uma do magistério- Capacidade da Escola: 1 mil Alunos, sendo 300 do Inovador, 670 do regular e 30 magistério- Salas de aula: 25- Última reforma: feita em 2007, quando ocorreu a troca de telhado, fiação e pintura.

Blumenau e Pomerode também têm ensino especial
As Escolas estaduais Luiz Delfino e Pedro II, em Blumenau, José Bonifácio, em Pomerode, também contam com o programa Ensino médio Inovador, do MEC. Em Blumenau, o projeto funciona desde 2010 no Luiz Delfino, com oficinas diversas. Mas foi no ano passado que o Ensino médio Inovador passou a funcionar regularmente, ocupando as tardes de terça, quarta e quinta de cerca de 90 Alunos dos 1º e 2º anos do Ensino médio. Para este ano, segundo o diretor geral da Escola, Antônio Bernardi, estão programadas oficinas para os Alunos dos 3º.
É neste ano também que outras duas Escolas estão implantando o Ensino Inovador regular, com atividades nas tardes de terça, quarta e quinta. São oferecidas aulas como informática, línguas estrangeiras, além de atividades esportivas, trabalhos especiais, como viagens de estudo a parques e museus, e projetos que focam assuntos do cotidiano, como a importância da doação de sangue. Nas três Escolas, os diretores informaram que os recursos para a manutenção do programa estão em dia.