MP 927

O presidente Jair Bolsonaro continua na contramão da história, do bom senso, da ética e de qualquer qualidade minimamente civilizada.

No momento em que o país atravessa uma pandemia, o COVID-19, edita uma medida provisória (MP 937), publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite de domingo (22), que permite que contratos de trabalho e salários sejam suspensos por até quatro meses durante o período de calamidade pública.

Na prática o governo referenda a volta do regime escravo onde o senhor tudo pode e ao escravo resta resignar-se. Retira o sindicato de todo o tipo de negociação, autorizando as empresas a fazerem muitas coisas que prejudicam a classe trabalhadora, não garante nenhum tipo de estabilidade, altera substancialmente a jornada de trabalho. E o pior, caso o trabalhador da saúde pegue o CORONAVÍRUS e não consiga provar o nexo causal e se ele morrer sua pensão será de 60% do seu salário.

O momento é de união de esforços, solidariedade, alteridade e o que observamos diariamente por parte do presidente é a total falta de capacidade para gerenciar crises, inclusive afrontando governadores que, ao contrário dele, estão fazendo o possível, cada um com as condições que tem, para conter a escalada do vírus e garantir a vida, bem mais precioso. Lamentamos que o Chefe do Executivo do nosso país não coloque a vida acima de tudo, para usar parte de um bordão exaustivamente repetido por ele, para este governo o que importa é a economia, a lucratividade dos bancos e rentistas, o subsidio a grandes empresários, a maioria devedores de fortunas aos cofres públicos e para o trabalhador, para o pobre, mais uma vez, a fatura a ser paga, ainda que com seu sangue, com a fome. Sim, pois quem consegue subsistir por quatro meses sem salários no país? Mais de 70% dos trabalhadores mal conseguem manter-se por um mês com o que recebem de salários, imagina sem nada por quatro meses.

Sabemos que os ricos sairão desta crise, ainda mais ricos, pois é assim que governos ineptos e porque não, corruptos, agem, sempre em favor dos que os financiam as campanhas, sempre em benefício do capital e dos grandes empresários, justamente dos que menos necessitam.

Quanto à estupidez geral reinante entre nossa classe média e principalmente rica, não basta um vírus tão letal para que percebam a gravidade e a pequenez de todos diante das forças naturais, a maioria segue gananciosa, egoísta, arrogante e covarde, valendo-se de momento tão difícil para auferir ainda mais lucros, sejam eles políticos ou econômicos.

Uma coisa é certa, a decadência humana explicita-se nua e crua diante de momento avassalador e, rogamos que prevaleça o bom senso da população para que uma guerra civil não ecloda no pais, pois a fome, esta sim poderá despertar o que há de pior no homem e estes que foram eleitos para administrar o país, visam apenas lucro e terão que sumir do conforto de suas mansões a hora que a turba, famélica, começar a invadir em massa seus luxuosos condomínios em busca de um naco de pão, sendo que nada mais têm a perder, nem a própria vida, haja vista, que este governo e inescrupulosos empregadores já condenaram, para além do vírus.

 

Professor Carlos Magno da Silva Bernardo
Presidente