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Educando para a vida!                   Fone: 9909-6066          profpercio@hotmail.com
Professor de Geografia, pesquisador formado pela UFSC, leciona em colégios da rede pública e privada, estudante de Psicologia na UNISUL.

EDITORIAL.
Em algum lugar já foi possível escutar algo parecido como: “Faço tudo pelo meu filho”, “Quero que ele seja feliz”, “Ele que faça suas próprias escolhas, pois o apoio sempre”. Então, caro leitor, nesta edição, ressalta um trecho de uma entrevista concedida à revista Veja pela filósofa francesa Elisabeth Badinter, que destaca a maternidade e suas relações com a contemporaneidade

do século XXI. Mas o que gostaria de comentar é que a filósofa faz uma comparação pertinente quanto à questão do equilíbrio da mãe com os seus filhos, onde de um lado, fazem pressões e roubam o espaço dos filhos, e por outro lado, ficam distantes quando deveriam se aproximar. Esta metáfora desassocia-se com a função da escola referente ao estereótipo de mãe moderna, pois encontramos diferentes modos de tratar esta questão, como poderemos proceder na escola, com tantos e diversificados modos de comportamento cujas mães insistem em traçar nos seus filhos; se na escola temos regras, planejamento, metas, currículo, então, como fazermos para que os filhos destas mães saibam os limites que os exigem na educação escolar? É um grande desafio para todos nós. Boa leitura. Um forte abraço! Professor Pércio.
A escola dos últimos tempos!
Ainda há muito por fazer, somado ao enorme saldo devedor dos que deixaram a escola sem aprender: 14,1 milhões de analfabetos e outros 38 milhões de analfabetos funcionais.
No plano geral, a Constituição de 1988 foi um marco para a Educação como direito, incorporada na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996, apoiada por Diretrizes e Parâmetros em 1998 e por um novo sistema de avaliação.
Universalizar o Ensino Fundamental foi um avanço indiscutível, pois a escolarização básica cresceu em taxas bem maiores do que a da população: há 25 anos, a maioria dos professores de hoje ainda estava na escola, como aluno. Há não muito tempo, em certas regiões, muitas professoras recebiam bem menos que o salário mínimo. Hoje ganham o piso nacional (apesar de alguns estados não cumprirem a determinação), mas sua remuneração, formação e carreira continuam incompatíveis com os discursos sobre a importância da Educação.
Quem viveu esse período acompanhou grandes transformações, mas também viu problemas persistirem. No tratamento de dívidas sociais, que hoje chamamos “política de inclusão”, grupos étnicos ameaçados ou segregados, pessoas com deficiência, jovens em condição de risco e analfabetos foram incluídos no ideário educacional – e de forma mais republicana, diferente da velha benemerência para com os desfavorecidos. Isso é essencial, mais ainda há muito por fazer. Teremos de enriquecer para poder pagar tais dívidas? Isso nos leva ao último ponto que gostaria de destacar: a relação entre Educação, desenvolvimento econômico-social e modernização.
As mudanças em nossa Educação se confundem com as transformações na vida do povo brasileiro.
Há pouco mais de 15 anos não havia internet. No entanto, temos dezenas de milhares de escolas sem um único computador e outras tantas sem acesso à rede. Nosso problema com a modernização é mais profundo, pois tem a ver com a inconclusa melhora de qualidade na ampliação numérica da escola. Vejo livros e currículos se modificarem, mas persiste o baixo desempenho nas avaliações.
A revisão desse percurso por completar já revela desafios para o país incorporar-se à dinâmica global, não se restringindo a exportar matérias-primas, degradar recursos naturais e segregar sua base social. Essa dinâmica é um turbilhão que só poupará nações que se renovarem tendo a cultura de seu povo como seu recurso e sua finalidade.
Temos que construir a nossa escola não como preparação para um futuro conhecido, mas para um futuro rigorosamente imprevisível.

Frases de Rubem Alves.

 

“O que é mais importante, saber as respostas ou saber fazer as perguntas”.

“A arte de pensar é a arte de fazer perguntas inteligentes. As perguntas que fazemos revelam o ribeirão onde queremos ir beber”.

“A maneira mais fácil de abortar o pensamento é realizando o desejo. Esse é o pecado de muitos pais e professores que ensinam as respostas antes que tivessem havido perguntas”.

A mãe perfeita é um mito.
Estive lendo uma entrevista de uma filósofa francesa – Elisabeth Badinter, nas páginas amarelas da revista Veja que me chamaram atenção, ela destaca que a pressão das feministas tem levado as mulheres a deixar sua vida em segundo plano! Afinal, quais os dilemas da maternidade na atualidade? Leia alguns trechos extraídos da sua entrevista:
Em pleno século XXI, a ideia de que, uma vez mãe, a mulher deve enquadrar-se em um modelo único, obedecendo a dogmas que, de tão atrasados, sepultam os avanços mais básicos trazidos pela industrialização. Estou falando de pessoas que torcem o nariz para as cesarianas e chegam a fazer apologia do parto sem anestesia, sob o argumento de que há beleza no sacrifício feito em nome dos filhos já no primeiro ato. Demonizam o uso da mamadeira e até o da fralda descartável. Para essa gente, as mães nunca devem estar indispostas para suprir as necessidades de sua prole. Essa pressão só causa frustração e culpa nas mulheres. O pensamento predominante no século XXI é de que há nobreza na dor do parto e que a boa mãe é sempre aquela que sofre.
Certas feministas politizam a maternidade e acabam exercendo uma enorme pressão sobre as mães para que busquem a perfeição. Estão contribuindo com isso para que elas regressem ao lar – um atraso.
As estatísticas confirmam o que os demógrafos já previam: são principalmente as mulheres mais escolarizadas e egressas dos mais altos estratos de renda que estão tendo menos filhos, ou nenhum. Vejo nisso um efeito direto da cobrança pela maternidade perfeita de que tanto falo. Na iminência de ficarem reféns de tantas exigências sociais, muitas simplesmente desistem de se tornar mães.
A história ajuda a relativizar a ideia do instinto materno como algo sagrado para as mulheres. Até o século XVIII, os bebês eram entregues às amas e apenas voltavam a conviver com os pais por volta dos 5 anos.
Segundo a teoria rousseauniana, é a própria história que nos conduz a uma conclusão óbvia: a de que o amor materno não é instintivo, como tantos apregoam, mas sim uma ideia construída.
As mães que põem os interesses e as vontades dos filhos sempre acima dos seus são vítimas desse equívoco historicamente determinado. Essas mães acreditam que a dedicação incondicional pode ajudar a produzir uma criança perfeita, resultado dos incentivos constantes. Nada mais típico do grande equívoco atual, baseado numa interpretação exagerada da psicanálise, do que a ideia de que as crianças devem ser poupadas de toda e qualquer frustração. Esse excesso costuma produzir efeitos colaterais desastrosos – tanto para a mãe como para a criança.
Calvin e seus amigos.


Afinal, o que é ser uma boa mãe?
Não raro, os filhos tomam o controle da situação e se tornam pequenos tiramos em casa; de outro lado, causa frustração às mulheres colocarem-se sempre em segundo plano. Não estou dizendo aqui, nem de longe, que existe uma fórmula ideal para a maternidade. Algumas mães podem deixar o emprego em nome dos filhos e ficar perfeitamente contentes com essa opção. Outras não. Chama muito minha atenção ver mulheres com expressão vazia enquanto cuidam de seus filhos nas praças e jardins. Fico me perguntando: qual é o problema de reconhecer que não querem passar o dia inteiro com os seus filhos? Evidentemente, elas acham que isso significaria amá-los menos.
É natural que a maternidade varie segundo valores, crenças e culturas familiares de cada mulher. Portanto, o máximo que posso dizer é o que sinaliza a experiência de forma bem clara: o ponto ideal é aquele em que as mulheres mantenham a eqüidistância entre os próprios desejos e os de seus filhos. Em outras palavras, que alcancem um ponto de equilíbrio em que não fiquem excessivamente próximas a ponto de roubar o espaço necessário ao desenvolvimento das crianças nem tão distantes que pareçam ausentes. As mães são, afinal, referência afetiva e intelectual imprescindível aos filhos. Infelizmente, esse modelo mais harmonioso e livre de tantas cobranças é bem raro no mundo atual.