Gazeta do Povo, 21/11/2011 – Curitiba PR
A hora e a vez do ensino bilíngue
Demanda por sistema que adota dois idiomas na educação básica aumenta e faz com que escolas se adaptem ao novo modelo
Jônatas Dias Lima

O ensino bilíngue virou tendência. A demanda tem estimulado escolas e grandes redes convencionais de educação a adotarem o sistema que há alguns anos era restrito a colégios internacionais, acostumados a receber alunos estrangeiros. A partir do ano que vem, os pais que desejam ver seus filhos falando outro idioma com fluência, ainda nos primeiros anos escolares, terão pelo menos 11 opções de locais em Curitiba onde matriculá-los. A entrada do Grupo Positivo no setor é um exemplo de iniciativa motivada pela insistência de quem não abre mão do inglês reforçado no currículo. “Recebemos muitos pedidos de pais de alunos do ensino regular pela adoção do bilinguismo. Boa parte das vagas foi ocupada por quem já estava no colégio”, conta Audry Castello Branco, gestora do projeto de ensino no Colégio Positivo Júnior.

Divulgado em campanhas publicitárias há menos de um mês, o projeto é considerado um sucesso mesmo antes do início oficial das aulas. Restam poucas das 120 vagas anunciadas. “A princípio, oferecemos o ensino bilíngue do 1.º ao 4.º ano, mas o plano é estendê-lo gradativamente até o ensino médio”, diz Audry. O colégio continuará a atender turmas regulares de meio período eperíodo integral, paralelas às bilíngues, que funcionarão das 8h15 às 17 horas. Entre as novatas no ramo, além do Positivo Júnior, está a rede Dom Bosco, que também abrirá turmas bilíngues a partir de 2012 – da educação infantil ao 3.º ano do ensino fundamental. A Mapple Bear, franquia canadense com cerca de 50 unidades espalhadas pelo Brasil, é outra recém-chegada que atenderá, primeiramente apenas à educação infantil.

Currículo – A grade horária das escolas bilíngues, em geral, é dividida entre disciplinas obrigatórias do currículo nacional e matérias extras, típicas de currículos estrangeiros. Assim, Matemática, Ciências e Geografia, por exemplo, são ensinadas em português, enquanto em aulas como Artes, Esportes e Gastronomia só se fala inglês. Algumas escolas adotam ainda o reforço das disciplinas do currículo nacional em língua inglesa. Para comportar as opções de atividades em outros idiomas, uma carga horária mais ampla é essencial. Na Escola Umbrella, que mantém uma proposta bilíngue desde 1999, o dia dos alunos é dividido entre atividades em português à tarde e em inglês pela manhã. Até a hora do almoço, as crianças são estimuladas a se comunicar apenas em inglês, inclusive nas ações de higiene.

Preço – O diferencial de um segundo idioma na educação dos filhos tem seu preço. E ele é alto. Na apuração feita pela reportagem, a variação das mensalidades vai de R$ 900 a R$ 3 mil, dependendo da escola e da série em que o aluno está matriculado. No entanto, para quem investe no bilinguismo, ouvir o filho conversar sem problemas com estrangeiros, é uma satisfação impagável. “Eles até rezam em inglês”, conta Luciana Mocelin, mãe de três filhos matriculados no Colégio Internacional Everest. “Se pensarmos no que pagaríamos em cursos de idiomas futuros, o preço nem chega a ser tão alto”,     acrescenta.

Internacionais seguem calendário estrangeiro – Uma dúvida comum entre as escolas que trabalham com dois idiomas é a distinção entre instituições internacionais e bilíngues. Embora os termos admitam outras interpretações, o Colégio Interna¬¬cional de Curitiba e o Suíço-Brasileiro são os únicos vinculados oficialmente a governos estrangeiros e que adotam o calendário de seus países de origem, não o brasileiro. “Nossa escola é autorizada pelo governo suíço e recebe investimentos da Ale¬¬manha por cada aluno que passa nas provas de alemão”, conta Denise Spredemann Friesen, diretora pedagógica do Colégio Suíço-Brasileiro, escola que trabalha com os idiomas português e alemão até o sexto ano do ensino fundamental, quando o inglês é inserido. Outros idiomas, como francês e espanhol, também são ensinados, mas apenas como disciplinas isoladas. No Colégio Internacional de Curitiba, o padrão é falar em inglês o tempo todo. A língua portuguesa entra como disciplina, e só é usada enquanto dura a aula. O ano letivo começa em agosto, assim como o calendário escolar norte-americano. Quem conclui o ensino médio na escola recebe, além do diploma nacional, um diploma de conclusão de high school, válido nos Estados Unidos. “Oferecemos documentação americana, que é válida como se o aluno tivesse estudado lá. Não é preciso fazer equivalência alguma”, explica Claudia Lebiedziejewsjki, diretora de admissões do colégio.