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Palavra do Presidente

FÓRUM SOCIAL MUNDIAL E O SINDICALISMO NACIONAL

 

Na abertura da Oficina Mundo do Trabalho realizado durante o Fórum Social Mundial em Porto Alegre, na semana passada, as centrais sindicais participaram do seminário "Crise Global, Trabalho Decente e Pacto Mundial pelo Emprego". A secretária de Relações Internacionais da CGTB, Maria Pimentel, compôs a mesa de oficial de abertura com o representante da FSM (Federação Sindical Mundial), Hugo Bosca; da Confederação Sindical dos Trabalhadores das Américas (CSA), Rafael Freire; o presidente da UGT, Ricardo Patah; o secretário-geral da CUT, Quintino Severo; o secretário-geral da Força Sindical, Juruna; o secretário-geral da NCST, Walter Souza; e o preside nte da CTB-RS, Guiomar Vidor.
 

Maria Pimentel saudou a presença do prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, dos representantes da FSM, da CSA, as lideranças das centrais sindicais presentes e disse que "os 10 anos do Fórum Social Mundial representa o período da construção da unidade dos movimentos sociais".
 

"No Brasil, com a experiência de unidade das centrais, barramos a tentativa de golpe da mídia monopolista e dos setores reacionários nas vésperas das eleições em 2006, conquistamos a valorização permanente do salário mínimo até 2023, acabamos com a idéia da implantação da Alca que abriria nosso mercado para os produtos estrangeiros e estamos na luta unitária pelas 40 horas", falou Maria.
A dirigente sindical lembrou a decisão tomada na primeira reunião do ano das centrais brasileiras de realizar a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), no dia 1º de junho, "para discutir um programa comum para influenciar a sucessão presidencial e continuar com as mudanças que têm ocorrido no país nos últimos anos".
 

O avanço da unidade dos trabalhadores do Cone Sul foi ressaltado por Maria Pimentel, lembrando que a Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul (CCSCS) reúne atualmente 13 centrais sindicais do Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai na luta contra as amarras dos monopólios na região.
 

Soluções

 

No painel perspectivas e desafios para o movimento sindical frente à crise mundial apresentado por Maria Pimentel, pelo presidente da CUT, Artur Henrique, e pelo vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, a secretária de Relações Internacionais da CGTB chamou a atenção para a guerra cambial deflagrada pelos EUA, que emitiram mais de 23 trilhões de dólares com o predatório objetivo de especular e parasitar economias como a do Brasil, que atuam com o "câmbio flutuante" e juros nas alturas.
Dessa forma, sublinhou Maria, "as grandes corporações e os bancos pegam dólares nos EUA a juro zero e promovem nos países que não se defendem da agressão cambial saque de recursos, aquisições de empresas estatais e privadas, gerando concentração de riqueza através da monopolização, desemprego, queda do consumo e desequilíbrio da produção".
"Ao emitir 23 trilhões de dólares a juro zero, os EUA dá subsídio ao sistema financeiro insolvente especular pelo mundo", resumiu.
Maria pontuou que "o que nos impediu de atolar na crise foi nosso mercado interno, que se sustentou com o aumento do salário mínimo, os programas sociais do governo Lula como o Bolsa Família e as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)". Investindo fortemente no mercado interno, em 2009 a China cresceu 9% e a Índia 6%, falou.
Durante sua intervenção Maria colocou que os monopólios sufocam a concorrência, ao mesmo tempo em que propõem cortar "gastos" acabando com os direitos trabalhistas e diminuindo salários.
 

"Aqui no Brasil nós temos que aproveitar esse colapso que desmoralizou o neoliberalismo e construir outra alternativa", sublinhou Maria, dizendo que a CGTB propõe investimento no mercado interno, com valorização do salário mínimo, redução dos juros e da redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; financiamento para as empresas estatais e privadas nacionais não monopolistas que querem produzir e gerar empregos; e prioridade para áreas estratégicas para o país como internet com o Plano Nacional de Banda Larga, telecomunicações, transportes e o fim dos leilões com a Petrobrás como operadora e exploradora única do pré-sal.

 

Compilação por Profa Karla Bressan
 


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