Não houve acordo na primeira rodada de negociação com os patrões da Fiesc

Texto do Jornalista Sérgio Homrich.

Representantes de centrais sindicais e federações de trabalhadores de Santa Catarina realizaram ontem (27) a primeira rodada de negociação com a federação patronal, a Fiesc, em Florianópolis, visando a renovação do acordo pelo reajuste do Piso Salarial Estadual. Mas não houve consenso. Pelo lado dos trabalhadores a reivindicação é de se equiparar os valores das quatro faixas salariais aos praticados no estado vizinho do Paraná: aumento de R$ 1.078,00 para R$ 1.223,20 na primeira faixa salarial, com 13,46% de reajuste; de R$ 1.119,00 para R$ 1.269,40 (8,94%) na segunda faixa; de R$ 1.179,00 para R$ 1.315,60 (11,58%); e de R$ 1.235,00 para R$ 1.414,60 na quarta faixa salarial. O setor patronal sequer fez contraproposta salarial e nova rodada de negociação está agendada para as 14 horas do dia 19 de dezembro, no mesmo local.

O diretor sindical do Dieese, Ivo Castanheira considera normal que não tenha havido acordo neste momento. “Não foi diferente dos anos anteriores, na primeira rodada cada parte faz a sua análise de conjuntura, apresentando a situação da economia de acordo com a sua visão”. Castanheira defende a equiparação do Piso Salarial aos patamares pagos no Paraná: “O Piso praticado no Paraná é maior do que o nosso, mas a economia de Santa Catarina é bem superior, tanto na exportação, importação, quanto na produção industrial, no comércio varejista, atacadista de modo geral, nossos índices são mais positivos do que os do Paraná”.

O supervisor técnico do Dieese, José Álvaro Cardoso entende que a diferença de análise de conjuntura tem duas razões: “Ou os empresários fazem uma análise completamente equivocada, ou são rentistas, vivem de renda, não dependem da produção, do desenvolvimento e do emprego”, critica o economista, lembrando que a Fiesc trouxe recentemente o ministro da Fazenda Henrique Meirelles para uma palestra. “Empresário que apoia o nível de destruição que esse governo está fazendo no mercado de trabalho, nos salários e no próprio estado brasileiro é de uma cegueira absoluta porque está matando o próprio negócio”, emenda. “Não existe venda industrial, comércio ou serviço sem o poder aquisitivo da população, países vitoriosos são os que têm mercado consumidor interno forte”, finaliza José Álvaro.